Sustentabilidade da moda poderá ser sustentada pelas plataformas digitais? – Cinco Estrelas

Sustentabilidade da moda poderá ser sustentada pelas plataformas digitais?


A moda digital, não estando sujeita às limitações da produção física das peças, permite criações arrojadas, num universo em que os estilistas trabalham as suas criações com maior liberdade através de novas ferramentas eletrónicas de criação que permitem infinitas possibilidades.

As medidas ecologicamente sustentáveis são hoje uma realidade para as marcas com a intenção de reduzir os danos ambientais, tendo em conta que as dinâmicas da acelerada produção da indústria da moda, fazem com que esta seja uma das mais poluidoras. Com a pandemia os objetivos de fabrico, distribuição e venda foram comprometidos pelo que, ocorreu uma rápida digitalização que abriu o caminho para o vestuário virtual.

De forma inovadora e sustentável, a moda digital tem crescido com potencial transformador, com criatividade ilimitada e diminuição do desperdício de recursos naturais de produção. É inspirada nos populares jogos de vídeo que permitem personalizar os personagens com os mais variados “skins” – opção que permite a mudança do design do jogador. Grandes marcas adotaram versões digitais, criando o vestuário fisicamente apenas após este ter sido consolidado e considerado definitivo. O processo de fabrico de um simples vestido reduz os custos ambientais em cerca de quatro vezes, de acordo com a ProSoft VR, empresa de software que produz soluções de software 3D para a Indústria Têxtil.

“Os artigos de vestuário da vida real encontram cada vez mais o seu caminho para plataformas digitais. Com casas de estilistas famosos a juntarem-se à tendência, os roupeiros virtuais estão a tornar-se mais semelhantes aos da vida real”, refere Victoria Trofimova, CEO da Nordcurrent, uma das maiores empresas produtoras de jogos da Europa. “Ao simular as roupas, os utilizadores podem explorar tendências, estilos e marcas sem necessidade de comprar peças físicas, e portanto reduzindo o impacto ambiental da indústria da moda”, continua.

Os jogos de vídeo são impulsionadores desta tendência, uma vez que a personalização e caraterização de personagens através das suas roupas é parte integrante de uma ação e consequente experiência imersiva. Jogos como o Pocket Styler permitem ao jogador personalizar o seu “avatar” com diferentes roupas e acessórios que podem ser encontrados em lojas da vida real.

“As pessoas podem expressar-se usando o Pocket Styler transferindo os seus gostos e preferências particulares para a versão virtual de si próprias. Os jogadores podem levar o seu tempo a desenvolver um sentido de estilo pessoal, o que é difícil de conseguir na vida real à medida que as tendências mudam e são gradualmente eliminadas das lojas rapidamente”, explica Victoria Trofimova.

Embora não sendo totalmente livre de impacto ambiental, o vestuário digital poupa cerca de 3300 litros e produz 97% menos emissões de carbono por peça, comparando com os físicos. Satisfazendo a necessidade de se envolverem com as novas tendências no mundo virtual, os consumidores estarão mais atentos às suas escolhas definitivas quando comprarem peças físicas, reduzindo os danos a longo prazo.

As marcas que investem na tecnologia digital podem utilizar o conhecimento adquirido para implementar na produção do vestuário físico. Como todo o processo de criação e testagem é digital, a produção real pode ser concretizada nos últimos estágios da linha de produção, eliminando desperdícios e grande parte dos custos com materiais, trazendo uma maior sustentabilidade para a indústria da moda. A PUMA, por exemplo, lançou em 2020 uma coleção com oito looks, em parceria com a The Fabricant, e constatou que reduziu em 17,4% o consumo de água durante a produção da mesma.

“À medida que os artigos saem de moda e surgem novas tendências, é criado um ciclo de danos ambientais. Os artigos antigos acabam em aterros, enquanto que a criação de novos artigos emite enormes quantidades de CO2 e esgota os recursos hídricos. Os jogos de vídeo aliviam esta carga, uma vez que peças não gastas podem simplesmente ser eliminadas e substituídas por outros itens com um impacto substancialmente menor”, sublinha Victoria Trofimova.

A moda digital permite criações ousadas, que não estão sujeitas às limitações da produção física das peças. Os estilistas trabalham as suas criações com maior liberdade quando as produzem através de novas ferramentas eletrónicas que permitem um infinito leque de possibilidades facilitando alteração de cores, texturas e materiais.

Este novo modelo de produzir e consumir moda consiste em arquivos virtuais, que têm como principal finalidade vestir roupas originais em posts nas redes sociais. Desta forma, peças físicas, que seriam usadas apenas uma ou duas vezes, passam a ser pixels editados numa imagem ou vídeo compondo um guarda-roupa virtual.

O cliente, ao adquirir uma roupa digital, envia imagens suas e, os profissionais vestem a peça comprada, com as devidas modificações adequadas ao seu corpo, através da utilização de softwares de design 3D, e este recebe o arquivo finalizado em poucos dias. Outra forma também utilizada pelas marcas é a de aplicações de realidade aumentada, onde um programa irá colocar as peças nas fotos do cliente como um filtro.

Apesar de ser um mercado em ascensão, que impulsiona uma importante renovação, a moda digital ainda não é acessível a todos e não substitui o desejo de possuir algo duradouro e tátil e, além disso os consumidores de moda que se preocupam com a sustentabilidade, podem optar por roupas e sapatos físicos de marcas que possuem a mesma preocupação e investem em novos materiais sustentáveis e novas tecnologias, como a PUMA, ou optar por peças de qualidade superior de marcas conceituadas em segunda mão – uma prática cada vez mais popular nos últimos anos.

Mas sem dúvida que se estão a jogar as tendências do futuro.

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